domingo, 16 de novembro de 2008


Retenho-me, como se retivesse as rédeas de um cavalo que pudesse galopar e me levar Deus sabe onde.
Eu me guardo.
Por que e para quê?
Para o que estou eu me poupando?
Eu já tive clara consciência disso quando uma vez escrevi: "é preciso não ter medo de criar". Por que o medo? Medo de conhecer os limites de minha capacidade? Ou medo do aprendiz de feiticeiro que não sabia como parar?
Quem sabe, assim como uma mulher que se guarda intocada para dar-se um dia ao amor, talvez eu queira morrer toda inteira para que Deus me tenha toda.
(Clarice Lispector)

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