segunda-feira, 17 de novembro de 2008


"A raiva, eu sei, eu tenho que saber neste minuto raro de escolha... A minha raiva é o reverso de meu amor. Tudo, tudo por medo de prostrar aos Teus pés e aos pés anônimos do "outro" que sempre Te apresentou.

Que rei sou eu que não se curva?Tenho que escolher entre a quebra do orgulho e o amor correnteza da ignorância e da doçura.A minha verdade antiga ainda me serve?Sei que amar é mais lento e a urgência me consome.Cobre minha fúria com Teu amor, já que também eu sei que a minha ira é apenas não amar, a minha ira é arcar com a intolerável responsabilidade de não ser uma erva.

Sou uma erva que se sente onipotente e se assusta.Tira de mim a falsa onipotência destruidora, não deixa que a ferida que abriram em mim signifique ferida aberta por Ti. Faz com que neste instante de escolha eu entenda que aquele que fere está no mesmo pecado que eu: no orgulho que leva à ira, e portanto ele fere assim como estou querendo ferir só porque não acredita, só porque não confia, só porque se sente um rei espoliado.

Ajuda aos que sofrem de ira porque eles estão apenas precisando se entregar a Ti. Mas como Tua grandeza me é incompreensível, faz com que Tu te apresentes a mim sob uma forma que eu entenda: sob a forma do pai, da mãe, do amigo, do irmão, do amante, do filho.

Ira, transforma-te em mim em perdão, já que és o sofrimento de não amar."(CLARICE LISPECTOR)

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