domingo, 16 de novembro de 2008


Eu amo o amor. O amor é vermelho.O ciúme é verde. Meus olhos são verdes.Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros.Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber. À extremidade de mim estou eu.Eu, implorante, eu a que necessita,a que pede, a que chora, a que se lamenta.Mas a que canta. A que diz palavras.Palavras ao vento? que importa, os ventosas trazem de novo e eu as possuo. Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou.E me transmuto. Oh, cachorro, cadê tua alma?está à beira de teu corpo?Eu estou à beira de meu corpo.E feneço lentamente. Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor.E à beira do amor estamos nós..." (Clarice Lispector)

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